Belo Monte ou um mau poema de primavera
Ubiratan Cazetta milita no grupo dos que organizam o pessimismo, não o pessimismo descomprometido, mero desleixo com o coletivo, mas o contrário ao “grosseiro otimismo” dos que avançam solícitos rumo ao capital, aqueles que se agarram a uma época de nulidades e desventuras, no entanto, uma época de “compromissos”. Cazetta não se deixa inspirar pela ideologia do progresso linear, descobre no pessimismo um ponto de convergência efetiva para a proteção dos direitos difusos, em aliança com o pessimismo ativo, organizado, prático, inteiramente dedicado a impedir a chegada do pior.
É deste tipo de pessimista que o Brasil precisa, sobretudo o norte, a região amazônica - que se manifesta de maneira imediata mcontra os empreendimentos mal arquitetados pelos cérebros monstruosamente diminuídos, capazes de esquecer centenas de milhares de anos de história da técnica de hidrologia como ciência; capazes de minimizar todos os avanços da antropologia enquanto estudo no último século; que lançam por terra a tão bem elaborada Constituição Brasileira e as suas determinações do Estado Democrático e de Direito em nome da geração de alguns kilowatts de energia.
Que a organização do pessimismo impretada por tantas instituições, ainda que exaustas pela sucessão implacável dos "decisivos" fatos políticos, sigam combatendo o cortejo "triunfal" dos senhores de hoje sobre o corpo dos vencidos – índios, mulheres, negros, pequenos agricultores familiares, periferia dos pequenos municípios – e coloque fim à cegueira revestida de otimismo que estabelece um “estado de exceção" – grafado como tem que ser – para os direitos civis.
Cazetta sabe que a mudança de cenário físico se torna uma tormenta individual, além de coletiva, e que a relação entre vida e ambiente rui: o ambiente já não constitui mais uma referência estável para o destino variável das pessoas - desfaz-se com mais velocidade do que as lembranças e os hábitos, exigindo das pessoas um contínuo esforço de adaptação. Belo Monte representa a morte para uma série de espécies de fauna e flora, para uma representação geográfica única, e, talvez o mais absurdamente insuportável: para costumes e culturas de modus vivendi jamais apreendida pelo resto do país e do mundo.
Walter Benjamim rejeitou o culto moderno à Deusa Progresso, colocando no cerne da sua discussão filosófica o conceito de "catástrofe", sendo esta o contínuo da história, símile e antítese de progresso.
Juliete Oliveira
quarta-feira, 14 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Crônica de uma tragédia anunciada
Miro da Mangueira com bandeira de Hélio Oiticica - onde está a alegria?
Ao despertar hoje na tranquilidade do meu lar, sou mais uma vez abalada pelo pensamento de que a quietude da qual desfruto não se estende a todos, lembro imediatamente das condições em que se encontram centenas de famílias no Rio de Janeiro. John Stuart Mill, transcrito por Borges, trata da lei da casualidade em que argumenta que o estado do universo em qualquer instante é uma consequência de seu estado anterior. Aqui também, somos tomados pelo sentimento de que parte do que aconteceu no Rio poderia ser evitado. Como? Perguntarão alguns...
Envolvendo-nos, evitando o hábito de pensar que o estado é uma inconcebível abstração, parando de ser apenas um indivíduo, sendo cidadão, querendo ainda o aforismo de Hegel, “O Estado é a realidade da idéia moral”. Não nos sentindo como Dom Quixote, para quem “cada um deverá se ocupar de seu pecado”. A cidade é o palco de todos, portanto responsabilidade comum. A política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do estado é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como objetivo o indivíduo, aquela a coletividade. A ética é a doutrina moral individual, a política é a doutrina moral social. Desta ciência trata Aristóteles precisamente na Política, de que acima se falou.
Ao Rio nos últimos dias. Recentemente vimos o Governador do Estado chorar em cadeia nacional, pelos ricos roytes do pré-sal, alguém viu o nobre homem derramar alguma lágrima diante das centenas de vidas que foram soterradas? Não apenas soterradas pela lama geologica, mas já soterradas há muito, pela falta de oportunidade, pela miséria, pela fome – a conspiração do silêncio – aqui é preciso citar Josué de Castro - para ele há uma perda muito grande de energias mentais nesse círculo de sustentação da elite a custa da exclusão de tantos. Não seriam as lágrimas do governador mais um ensaio do capitalismo democrático, o qual Deleuze classificou como “totalmente comprometido na fabricação da miséria humana”?
Esta é a consequencia da qual falou John Stuart Mill, a de um estado inerte, ou mais que isto, paralítico, débil, que amesquinha e despreza o indivíduo. A subida de Hélio Oiticica ao morro da Mangueira de certo se diferencia destes que hoje sobem como mensageiros da morte e do desastre, nas suas supostas ações políticas. Favelizam as cidades Brasil afora, com uma política que revigora o feio, o grotesco, a morte. Hélio é gás - Mangueira é árvore, estavam estabelecidas conexões, intensidades de um pensamento novo, não-pensado que as conveniências institucionais negligenciam descaradamente. Que urbanistas subam o morro, arquitetos, poder público - para um trabalho que não cabe nem nunca coube à polícia.
Juliete Oliveira
sábado, 13 de março de 2010
ABOLIÇÃO DA ESCRIVANINHA3
livro inconfesso fechado em segredo
não abre [dedo-duro] a boca
não rima – que terá a ver ainda
poesia com rima?
não terá a ver com fome?
Não é função da literatura ajudar ninguém.
A literatura desestabiliza, abala, esgarça mais ainda as feridas.
Saquei na pré-conferência de literatura livro leitura realizada em Brasília esta semana por que essa literatura não entra nas escolas e incontáveis gerações vêm se formando sem conhecê-la.
É que caímos no abismo das simplificações!
Vou insistir: Caímos didaticamente no abismo das simplificações!
E mais: Caímos estatisticamente no abismo das simplificações!
Descemos aos infernos da idiotização e do atraso.
Isso tudo agradeçamos à Escola!
Vejam: outro dia minha filha chegou em casa com o “livro” de resumo de Dom Quixote. Em casa há pelo menos três traduções de Dom Quixote que ela conhece. E a escola dá a ela um resumo. É assustador!
Não é difícil constatar que num ambiente favorável à desolação as ervas daninhas proliferem.
Professores não são mais leitores. E, no entanto, avaliam e indicam que livro a escola deve comprar.
Na avaliação que fizemos do Plano Nacional do Livro e Leitura durante a pré-conferência literatura livro leitura, no texto em que existia a palavra “não-didático” trocamos para literatura. Uma tentativa premente de se recuperar o sentido da leitura a que devemos todos retornar nos ambientes de cultura, o da literatura estritamente literária. É ela que empurra a sociedade pra frente. É tudo que pode dar! E sem ela não pode ser!
Na pré-conferência, no meu grupo de trabalho, além de mim tinha apenas outra escritora. A pressão das editoras de livros escolares e das sacerdotizas da Verdade - as bibliotecárias, sempre no ataque com seus programas de leitura e seus didatismos seculares, seus rituais simplificadores que abolem de vez os grandes autores das escolas, e o acesso, nas fases iniciais, aos clássicos. Isso então, pra elas, chega a ser uma heresia. Não vêem que todo o fracasso escolar a que estamo lançados advém daí. De não ler a grande literatura, não ler no sentido literário.
Insisti na proposta de que as bibliotecas devem ampliar seus horários de funcionamento. Há bibliotecas, como em Palmas, que só funcionam miseravelmente no horário comercial. Jamais visam atender os trabalhadores, por exemplo. Isso deu pano pras mangas. E muita incompreensão. Mas se Lula quer zerar os municípios brasileiros sem bibliotecas, que seja, mas só isso não basta. É preciso garantir o funcionamento e o acesso a todos. Tinha que virar política de governo e lei. Que as bibliotecas públicas funcionassem 15 horas diárias. E engendrar e intensificar as demais políticas. Sem desenvolvimento humano não há, de fato, crescimento e cidadania. Tenho dito!
PS: minha filha está lendo agora, sob indicação da escola, o livro "Mudando de casca" (Giselda Laporta Nicolelis, da Moderna). Vejam a pérola: "Aquele pirralho era pior que grude; um pentelho! Será que nem seu programa favorito ele podia assistir em paz?".
É pra chorar, não?
Ney Ferraz Paiva
sábado, 6 de março de 2010
100 anos de luta pacífica
As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios.
Ana Cristina Cesar
Há 100 anos, em 1910, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Dinamarca, a criação do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857.
Toda vez que penso nesta história imagino aquelas mulheres felizes e ansiosas por terem conseguido uma reunião, seriam ouvidas.
Finalmente poderiam falar de suas dificuldades, das 16 horas diárias de trabalho, da equiparação salarial, pois só recebiam um terço da remuneração masculina, tratamento digno dentro do ambiente de trabalho e tantas outras simples e justas reivindicações.
Choro a dor do espanto, do desespero de se encontrarem trancadas e morrerem queimadas. Em quem pensavam aquelas mulheres? Provavelmente em seus homens, filhos, maridos, pais.
Sempre foi assim a luta feminina jamais derramou o sangue masculino em seus protestos pela busca da igualdade, do reconhecimento, do respeito, da valorização. Foi e é pacífica, sem armas, sem violência. No entanto quantas são as histórias de mulheres mortas, as tecelãs operárias de Nova York¹ as alunas de Engenharia vítimas da loucura de um aluno machista no recente ano de 1989, no Massacre de Montreal². E quantas são as vítimas anônimas, porque disseram não, porque quiseram trabalhar, estudar..., foram mortas por homens, pelos seus homens.
Nós, mulheres rasgamos sutiãs, realizamos passeatas, batemos panelas, às vezes pelos direitos dos maridos, em referência ao protesto das esposas de militares durante a greve da Polícia Militar do Tocantins em 2001.
E o mais interessante é que a luta nunca foi para tomar o poder ou território masculino, ao contrário, pela igualdade em nossas diferenças, a valorização das características femininas. Por que tudo que é feminino é considerado pejorativo, insignificante, prejudicial? “mulher fala muito, é vaidosa, emocional”, quando que a capacidade aguçada de comunicação, o cuidado zeloso consigo mesmo e principalmente a capacidade de sentir deixaram de ser importantes para uma sociedade civilizada. Somos diferentes, que maravilha! Na natureza nenhuma folha é igual a outra e na diferença se faz o equilíbrio a completude.
E todas as conquistas foram comemoradas sem o desdém arrogante da vitória pela vitória, e sim com a alegria amorosa de quem conseguiu um futuro melhor para todas e todos.
A luta se fará ainda por cem anos, pacífica pela fraternidade entre os gêneros e contra toda e quaisquer formas de discriminação e preconceito.
Letícia Bordin
março 2010
¹No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
²Massacre de Montreal – A tragédia ocorreu na Escola Politécnica, em Monteral, no Canadá, há quase 20 anos, em 1989. Um rapaz de 25 anos invadiu a sala de aula e ordenou que os homens (aproximadamente 48) se retirassem da sala, permanecendo somente as mulheres. Gritando: “você são todas feministas!?”, ele começou a atirar enfurecidamente e assassinou 14 mulheres, à queima roupa. Em seguida, suicidou-se. O rapaz deixou uma carta na qual afirmava que havia feito aquilo porque não suportava a idéia de ver mulheres estudando engenharia, um curso tradicionalmente dirigido ao público masculino.
A pedra como representação do corpo
Talhar uma mulher na pedra para não ter mais dúvidas da obediência das mulheres, essa fala retirada do discurso de Katharina Luther, reproduz o discurso imaginário de seu marido Martin Luther no livro “Se você tivesse falado, Desdêmona – Discursos desenfreados de mulheres desenfreadas” de autoria da alemã Chistine Brückner, publicado no Brasil pela editora Paz e Terra. Observando o comportamento de algumas mulheres e ainda, sendo mulher, me pergunto, se nós ao invés de sermos, como quer o universo bíblico, cria de uma costela – algo frágil, delicado, delgado – não sejamos mesmo, feitas de pedra, não pela conotação de dureza/frieza a que a palavra “Pedra” nos remete, mas pela resistência. Essa capacidade de suportar e aí inevitavelmente eu chego ao João Cabral de Melo Neto e em seu livro “A Educação pela pedra”: Uma educação pela pedra: por lições; / para aprender da pedra, freqüentá-la; / captar sua voz inenfática, impessoal / (pela de dicção ela começa as aulas). / A lição de moral, sua resistência fria ao que flui e a fluir, a ser maleada; / a de poética, sua carnadura concreta; / a de economia, seu/adensar-se compacta: / lições da pedra (de fora para dentro, / cartilha muda), para quem soletrá-la. Aqui, também se encontra a metáfora para o emudecimento feminino ao longo dos tempos, a resistência concreta, a economia, seu adensar-se, tornar-se cada vez mais densa, ser moldada, se deixar moldar. Resistir, resistir... Na América Latina e Caribe, a violência doméstica atinge entre 25% a 50% das mulheres; Uma mulher que sofre violência doméstica geralmente ganha menos do que aquela que não vive em situação de violência; A cada cinco anos, a mulher perde um de vida saudável se ela sofre violência doméstica. Dados do Instituto Patrícia Galvão. Qualquer semelhança não é mera coincidência, contudo, é preciso que nos vejamos nesses números para que possamos sair um pouquinho da nossa condição de pedra – nesse caso, da imobilidade e mudez da pedra – e, não apenas nesse, é preciso que sejamos um pouco água, que de acordo com o conhecido ditado popular “em pedra dura tanto bate até que fura”. E já que assumimos facilmente a forma de água por mineralmente fazer parte dela, sejamos também invasivas, tomemos para nós o que nos cabe, na tentativa incessante, de promover o descolamento da mulher do lugar binário em que ela foi depositada, como uma garantia da sociedade falocêntrica. E ainda parafraseando Derrida “potencializar a própria diferença que passa a ser diferença que produz diferença, e não apenas diferença depositada numa dualidade”. A sociedade, sem demagogias, precisa de pessoas, sejam elas homens, mulheres, crianças, negros, brancos, e não de um sistema partido ao meio, tal como se observa hoje, em que é necessário se criar toda uma política de gênero, de cor, de grupos, forçando uma alegoria do esforço individual de integração da racionalidade econômica e da identidade cultural para a “ação democrática”, criando as condições institucionais da liberdade do sujeito. Para a psicanálise, a diferença sexual continua sendo um dos seus mais complexos dogmas: a psicanálise vai estabelecer que a diferença anatômica dos sexos delimita as diferenças. Não seria o caso de nos perguntarmos se essa definição por si só bastaria para suportar toda uma realização de sentido efêmera que não se garantiria para além da simples representação colada numa figura corpórea? Para essa representação Foucault desenvolve uma economia política do corpo, um corpo definido em termos de materialidade, isto é como matéria inclinada a experimentar uma variedade de operações simbólicas e materiais: deve fazer-se dócil, submissa, erótica, utilizável, produtiva, maternal e etc. Lembremo-nos das mulheres africanas que deverão experimentar essa economia do corpo em período de copa do mundo, um dos maiores espetáculo do capital e nos transformemos em fogo para queimar os funcionários da verdade; os burocratas da revolução, os terroristas da teoria e os lastimáveis técnicos do desejo.
Juliete Oliveira
março 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Quando achamos necessário, não temos o direito de não sermos nós a fazê-lo: delegá-lo a outros seria imoral. (Bertolt Brecht)
O sentimento de dever moveu e move certos indivíduos ao longo da história, e, é dele que me sirvo para construir o que me cabe até o momento. O Rubens Alves defende que o educador é aquele que aprende, devo concordar com ele, pois tomados por essa compreensão aprendemos inclusive a aprender com a censura. Não a censura pesquisada da história recente, mas uma muito mais perniciosa e atroz, aquela que busca riscar dos dicionários qualquer termo, expressão, vernáculo, vocábulo, que não lhe seja familiar, ou ainda, que não faça parte do seu minúsculo vocabulário cotidiano.
Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo! (Wittingesntein)
Para atender aos censores de plantão que medem o mundo a partir do próprio quintal, deveria inclusive ser feita uma reforma vernacular, em que por economia fonética os dicionários deveriam ser resumidos; deles deveriam ser retiradas todas as palavras que não fossem usuais, tomando como parâmetro, claro, um mundo distante dos livros e da leitura, tendo como referência a linguagem oral de certos indivíduos.
Grande parte da cultura ocidental tem como fonte a cultura Grega, berço da inteligência e da técnica; usada desde sempre como o limiar do pensamento, mas toda a atemporalidade encontrada nos modelos instalados, sobretudo pelo povo grego, só alcançou as gerações subseqüentes graças à língua; agora nos perguntamos o óbvio: a língua falada? Ou a língua escrita?
Esse questionamento responderemos com um verso da grande e nada econômica, muito menos censora, Adélia Prado: não quero nem faca nem queijo; quero é fome.
Pois é, foi essa mesma fome que moveu a sociedade através dos tempos, para que de uso da escrita recriasse, reinventasse e reinstalasse o que começaram os gregos. Toda uma gama de terminologias e termos do universo da física, passados de geração a geração num exercício de ensino/aprendizagem; e a biologia e a taxonomia, ou ainda a classificação dos animais. Devemos agora evitar os termos nada usuais da classificação das plantas, porque as pessoas não vão entender? Seria por isso que muitos biólogos não as reconhecem na natureza?
O que está em questão, a pretexto de simplificar e faciliar, é o controle de informação. Difundi-la sempre como a cópia progressiva das mesmas formas, códigos e modelos - até que os tolos e incautos ruminem e entendam. Num ambiente assim, escrever, pensar, exercer conhecimento será sempre considerado uma condura inadimissível, ainda que todos saibam que o mercado exige um marketing cada vez mais aberto e ousado a fim de consolidar seus lucros.
Posturas assim talvez expliquem uma pequena parte das nossas misérias nacionais. O emburrecimento e o regurgitar da mediocridade.
juliete oliveira
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O Fome Zero é talvez o projeto mais ambíguo que já se pretendeu implantar na administração pública federal, claro, com seus “bons” seguidores pelos estados e municípios. Ambíguo por que nunca se soube ao certo se combatia a fome ou se debochava da miséria a que somos placidamente submetidos. Veremos, entonces, neste espaço que se pretende crítico, que o cenário político do Brasil mais do que indigesto é bárbaro, cruel e perverso. Uma passagem por demais desviada de rota e propósito, uma vez que ser político é (ou era) cuidar da cidade e do bem público. Saberiam disso os Senhores políticos? Teriam sabido algum dia? Pelo salário que se pagam (uma vez que são eles que decidem e votam o valor de seus salários... privilégio mais do que justo na “democracia” dos privilégios, da corrupção e da falta total de ética), pois bem, pelo menos por esse salário eles deveriam saber – e porque não sabem ou sabem e não fazem, geram a peste. Ai de nós!!!
Juliete Oliveira
Foto: Arnaldo Carvalho
Foto: Arnaldo Carvalho
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